FERTILIDADE E CANCRO DA MAMA

O Cancro da Mama é um dos cancros mais comuns nas mulheres. A boa notícia é que cada vez há mais sobrevivência! Para muitas mulheres, a maternidade é uma fase importante na caminhada depois de um cancro da mama.

Os tratamentos que ajudam a vencer o cancro da mama também podem afectar a capacidade de engravidar.

Felizmente, se quiser ser Mãe depois do tratamento, ainda pode atingir esse objectivo.

Quer o cancro lhe tenha sido diagnosticado há pouco tempo, quer seja uma sobrevivente de longa data, há várias opções que lhe vão permitir ser Mãe. Este folheto dá-lhe informação actualizada sobre os riscos de fertilidade, as opções de maternidade e de gravidez depois de um cancro da mama.

Esta informação poderá ajudá-la a tomar as decisões certas para si – antes, durante e depois do Cancro da Mama.

COMPREENDER OS RISCOS

Como é que os tratamentos do cancro da mama afectam o sistema reprodutivo?

A cirurgia e as radiações, geralmente, não afectam o sistema reprodutivo. Contudo, a quimioterapia pode aumentar o risco de infertilidade e provocar a menopausa precoce. Isto verifica-se quando a menopausa acontece antes dos 40 anos.

Nascemos com um número limitado de óvulos nos ovários. Com a idade a quantidade destes óvulos vai diminuindo. Algumas substâncias usadas na quimioterapia podem afectar ou mesmo destruir os óvulos, reduzindo drasticamente a sua quantidade inicial. A quimioterapia também pode afectar o funcionamento dos ovários a nível da produção das hormonas que controlam a menstruação. Qualquer destas causas pode aumentar o risco de infertilidade ou provocar o fim do funcionamento dos ovários.

Muitas mulheres que fazem quimioterapia continuam férteis, mas conhecer os riscos de infertilidade associados aos tratamentos é importante para poderem pensar num planeamento familiar.

Como é que os tratamentos nos afectam?

Os efeitos da quimioterapia na reprodução variam com a idade, com as substâncias usadas nos tratamentos e com as respectivas dosagens. Quanto maior for a idade e a dosagem, maior será o risco de infertilidade e de ter uma menopausa antecipada. O risco será maior se tiver mais de 35 anos.

Há muitas substâncias usadas na quimioterapia que podem afectar o sistema reprodutivo. Um conjunto de substâncias, chamadas de agentes alky-lating, são aquelas que, com maior probabilidade, podem afectar os óvulos e a função ovária.

Cerca de metade das mulheres, com menos de 40 anos, que fazem quimioterapia para tratamento do cancro da mama podem deixar de ser menstruadas durante os tratamentos, mas o período menstrual voltará ao normal pouco tempo depois do fim da quimioterapia. Todas as mulheres que fazem quimioterapia correm o risco de menopausa antecipada, isto porque este tratamento reduz a quantidade de óvulos armazenados. Algumas mulheres podem entrar numa menopausa antecipada imediatamente a seguir aos tratamentos. Para outras isso só virá a acontecer muitos anos mais tarde. Fale com o seu médico sobre os “seus” riscos.

CONSERVAR A FERTILIDADE

O que poderá fazer antes de começar os tratamentos para ajudar a conservar a fertilidade?

Há várias maneiras de preservar a fertilidade antes de começar o tratamento. Fale com o seu médico sobre as seguintes opções para decidir se alguma é indicada para si.

  • Congelação de Embriões

A congelação de embriões é um método com alta taxa de sucesso na preservação da fertilidade.

  • Congelação de óvulos

A congelação de óvulos pode ser uma opção para mulheres sozinhas que ainda não têm um parceiro e não querem usar um dador de esperma.

  • Congelação de tecido do ovário

A congelação do tecido dos ovários pode ser uma boa opção quando há pouco ou nenhum tempo para a estimulação dos ovários antes do tratamento.

OPÇÕES DE MATERNIDADE

Há uma série de opções de maternidade para si antes, durante e depois dos tratamentos do cancro da mama. Deve falar com o seu oncologista sobre as diferentes opções.

Quais as opções de maternidade após o cancro da mama?

Ser mãe depois de cancro da mama é possível. É muito importante falar com o seu médico oncologista para perceber como o tratamento pode ter afectado o seu sistema reprodutivo e quais as opções que mais se adequam a si.

  • Concepção Natural e Assistida

Muitas mulheres após o tratamento conseguem engravidar naturalmente. A concepção natural pode ser uma boa opção. Se, pelo contrário, tem dificuldade em engravidar naturalmente depois do cancro da mama, fale com o seu médico. Pode ser que tenha que recorrer a tratamentos de infertilidade para conseguir engravidar.

  • Congelação de embriões, de óvulos e de tecido do ovário

As mulheres que não experimentaram problemas de infertilidade ou menopausa precoce, imediatamente após o tratamento, podem ainda querer ou necessitar de adiar a gravidez. Por não saberem se poderão ou não ainda ter problemas, algumas escolhem congelar embriões, óvulos ou tecido dos ovários. Ficam desta forma prevenidas para o caso de ocorrer algum problema de infertilidade.

  • Adopção

A adopção pode ser uma excelente opção de maternidade para aquelas mulheres que não podem ou não querem engravidar. A adopção pode ser privada ou pública, nacional ou internacional.

Todos os tratamentos de fertilidade descritos neste folheto têm vários riscos e efeitos secundários. Os seus efeitos em mulheres com cancro da mama podem nem ser conhecidos. Os tratamentos de infertilidade podem ser dispendiosos e poucos são cobertos pelas seguradoras. Quando pensar em fazer algum tratamento de fertilidade, fale com o seu médico e com a sua seguradora.

TRATAMENTOS DE INFERTILIDADE

Alguns tratamentos de infertilidade utilizam hormonas para amadurecerem vários óvulos durante o ciclo menstrual. Chama-se a esta técnica a estimulação standard. Estas hormonas podem aumentar os níveis de estrogénio da mulher, um assunto de extrema importância para as doentes de cancro da mama. Muitos dos tumores da mama são sensíveis ao estrogéneo, e aumentar os níveis de estrogénio pode acelerar o desenvolvimento das células cancerosas.

Utilizam-se hormonas em tratamentos de infertilidade?

Nem todos os tratamentos de infertilidade necessitam de hormonas, mas geralmente, são utilizadas na congelação de embriões e de óvulos. Alguns médicos podem aprovar a estimulação standard nas doentes com cancro da mama, se a quimioterapia começar imediatamente a seguir. As doentes com cancro da mama podem também escolher outras estimulações mais seguras. Fale com o seu médico para decidir qual a melhor opção para si.

Há outras formas mais seguras de amadurecer óvulos nas pacientes com cancro da mama?

Há muitas maneiras e mais seguras de amadurecer os óvulos nas pacientes com cancro da mama. Com esses métodos não há níveis de estrogéneo tão elevados como acontece na estimulação standard. Desta forma, reduz-se o risco dessas hormonas irem acelerar o desenvolvimento das células tumorais.

  • Ciclo normal

Tal como o próprio nome indica, só os óvulos que amadurecem naturalmente durante o seu ciclo menstrual é que são aproveitados. Normalmente só se desenvolve um óvulo por mês, por isso com este método só há um óvulo por ciclo. Por vezes acontece não ser aproveitado nenhum óvulo e excepcionalmente são aproveitados dois. Para este tipo de tratamento não há hormonas extra.

  • Estimulação com Letrozole ou Tamoxifeno

Estudos recentes mostram que as doentes com cancro da mama podem fazer FIV (fertilização in vitro) usando determinadas medicações, como complemento de hormonas standard, utilizadas em tratamentos de infertilidade sem aumentar o risco de reincidência de cancro da mama. Letrozole e Tamoxifeno podem proteger a mama dos efeitos do estrogénio enquanto estimulam os ovários a amadurecer os múltiplos óvulos para congelamento de óvulos ou de embriões.

Os dois métodos ainda são experimentais. É necessária mais investigação para garantir a sua segurança e eficácia.

  • Maturação In Vitrum (MIV)

Com a MIV há a recuperação de óvulos que começaram a amadurecer durante o ciclo menstrual, mas que ainda não se encontram plenamente maduros. Cinco a vinte óvulos imaturos completam o amadurecimento em laboratório durante 24 - 48 horas. Os óvulos então maduros podem ser congelados, ou fertilizados para formar embriões, que posteriormente serão congelados.

Na MIV não se usam hormonas de estimulação standard que provocam o aumento de nível de estrogénios. Esta pode ser feita rapidamente, pois não há necessidade de se esperar pela estimulação dos ovários.

Este método é experimental para o paciente oncológico.

GRAVIDEZ E CRIANÇAS APÓS O CANCRO DA MAMA

É seguro engravidar depois de um cancro da mama?

Alguns estudos sugerem que a gravidez não vai provocar uma reincidência ou reduzir a hipóteses de sobrevivência. No entanto, estudos mais recentes revelam resultados diferentes. Porque a gravidez aumenta os níveis hormonais e o cancro da mama é afectado por hormonas, é importante que fale com o seu médico oncologista no sentido de perceber se, no seu caso, é seguro ou não engravidar. As sobreviventes do cancro da mama são normalmente aconselhadas a esperarem cerca de dois a cinco anos depois de terminado o tratamento, por ser esse o tempo mais provável de ocorrer uma reincidência. O médico também precisa de verificar se o coração e os pulmões ficaram afectados com a quimioterapia. O stress acrescido de uma gravidez pode por vezes revelar problemas não detectados durante os tratamentos.

É seguro engravidar enquanto estiver a ser medicada com Tamoxifeno?

Apesar de ser possível, não é seguro engravidar enquanto está a tomar Tamoxifeno. Há estudos que indicam que tamoxifeno pode prejudicar gravemente o desenvolvimento do feto. Quando o Tamoxifeno é tomado durante o tratamento de infertilidade, não se corre esse risco uma vez que não há feto. Se estiver a tomar Tamoxifeno é melhor não engravidar.

Os tratamentos contra o cancro da mama terão alguns efeitos negativos nas crianças que venham a nascer depois de terminados os tratamentos?

À partida, a probabilidade de os filhos de sobreviventes de cancro nascerem com algum defeito de nascença, é a mesma que a população em geral.

Se houver algum risco associado a este facto é muito pequeno.

Os filhos de sobreviventes não correm maior risco de ter cancro, excepto nos casos de verdadeiros cancros genéticos.

A segurança de uma gravidez depois do cancro da mama ainda não está completamente confirmada. Há estudos que revelam riscos adicionais.

Fale primeiro com o seu médico oncologista quando pensar em engravidar.