Breve testemunho de vida

Eu com grande alegria que hoje escrevo este breve testemunho de vida. Chamo-me Vânia Maria da Silva Bettencourt, tenho 28 anos e sou da Ilha Graciosa, Açores e a minha história foi mais ou menos assim… Quatro dias depois de fazer os meus 27 anos de idade e um mês depois de me ter casado senti uma dor que não era normal. Pareciam picadas de agulhas no lado direito da minha mama direita, isto aconteceu quando me deitei depois de ter estado a varrer durante algum tempo e ter estado a reger (banda). No primeiro dia que senti a dor apalpei, mas com uma massagem muito leve. No segundo dia como já era a repetição da dor pedi ao meu marido que me ajudasse a encontrar alguma coisa, e foi ele que encontrou uma pequena “bolinha” que estava localizada de lado, mas profunda (curiosamente no mesmo sitio onde os arcos dos soutiens acabam). No dia seguinte fui ao hospital e mandara-me fazer uma ecografia mamária que não acusou nada. Médicos chegaram a dizer que deixasse de tocar porque era psicológico e que iria desaparecer… Mas eu não fui nessa cantiga, ate porque doía. Dois meses depois veio à ilha um cirurgião e fui à consulta dele. Nada indicava o que era, no entanto perguntou-me se eu queria tirar ao que respondi que se não me doesse mais “sim”, pois uma vez que sou maestrina trabalho muito com o braço direito e cada vez que tinha de reger doía-me. Tirei então supostamente um gânglio inflamado através de uma pequena cirurgia com anestesia local. O que tiraram foi equivalente aos dedos indicador e médio juntos tanto em cumprimento, largura e grossura. Até disse ao médico que parecia um bife de vaca… Médico disse que podia ir descansada porque estava tudo bem. Nunca mais pensei em nada. Três semanas depois fui chamada à ilha Terceira para fazer uma ecografia abdominal, ao que achei muito estranho, mas ao mesmo tempo desconfiei que afinal devia ser algo mais grave aquilo que tinha tirado. Quando no dia seguinte cheguei à terceira fui falar com o médico ao que me disse que era um tumor. Perguntei se era bom ou mau, mas ele não me respondeu logo apenas disse que era pequeno demais para fazer estragos. Inocentemente perguntei se me ia cair o cabelo pois o médico falou-me em radioterapia. No dia seguinte fiz vários exames desde mamografia, ecografia mamária, electrocardiograma, raio x ao tórax, analises e estava tudo bem. Um mês depois fui novamente operada, desta vez com anestesia geral para fazer o alargamento da margem de segurança e esvaziamento axilar. Tudo correr bem. No mês seguinte tive a noticia que iria fazer quimioterapia pois tinham encontrado um gânglio inflamado dos 18 que me tinha tirado. Iniciei os tratamentos de quimioterapia, e depois 33 sessões de Radioterapia encontrando-me neste momento a fazer hormonioterapia. Já lá vai um ano. Esta semana desloquei-me à Terceira para a segunda consulta depois de ter terminado os tratamentos a 2 de Setembro na qual repeti os exames do ano passado e os resultados foram óptimos. Portanto neste momento posso dizer VENCI! Se estar doente no Continente é difícil, nas ilhas, principalmente nas mais pequenas, ainda é mais difícil pois cada tratamento necessita de deslocação, no entanto nada é impossível. Felizmente nunca baixei a cabeça e posso dizer que essa foi a principal chave do meu sucesso: Espírito positivo acima de tudo. Força para todas e muitos parabéns por esta excelente iniciativa deste encontro, para o próximo espero poder estar aí.

Visitem e contribuam para o blog que criei dedicado às questões do cancro http://hojemeuamanhateu.blogs.sapo.pt